Um pouco de pó
Tem ventado muito nessa vida. O mundo hoje é dinâmico, e opa, não é mais. As coisas mudam tão rápido que temos de nos adaptar quase que como água, preenchendo os espaços que nos são proporcionados em muda e tácita conformação. Como se não bastasse, ainda nos trocam de frasco mais rápido que adulterador de gasolina.
Vá às compras, e você verá que os preços mudam assim que você vira de costas. O melhor restaurante da cidade pode estar fechado pra sempre amanhã. Aquele seu carro, sua casa, sua esposa, é melhor trocar logo antes que envelheçam. Novos avanços científicos desmentem o que se tinha por certeza já há tanto tempo, às vezes até descobertas que haviam sido feitas semanas atrás e pareciam tão sólidas. E das relações pessoais, nem se fala: já tem gente tendo em média dezenas de melhores amigos por ano, um de cada vez claro, não se pode ser antiético. E como se pode esperar que sejamos capazes de manter contato com cada paixão de uma noite que temos? Que atire o primeiro celular quem nunca mudou de número de telefone. Sorrimos para pelo menos três pessoas novas ao dia, rostos que rezamos pra que não se repitam nunca mais, pois não seremos capazes de lhes lembrar sequer os nomes, e sempre há uma grande novidade, a fofoca de vez, que todo mundo sabe e logo esquece, e nada é mais importante que sabê-la antes que se torne ultrapassada.
É um admirável mundo novo, de novo. Mas às vezes dá vontade de ter algo mais estático, em que possamos nos apoiar sem medo de desequilíbrio, um momento em que não seja preciso se preocupar com pressa nem tampouco eficiência, caso que não podemos ter. Somos como a areia em suspensão no ar numa pacata estrada de terra silenciosa; pó que se recusa a parar quieto, preferindo dançar ao sol esperando um vento que vai dar-lhe fim.
Vá às compras, e você verá que os preços mudam assim que você vira de costas. O melhor restaurante da cidade pode estar fechado pra sempre amanhã. Aquele seu carro, sua casa, sua esposa, é melhor trocar logo antes que envelheçam. Novos avanços científicos desmentem o que se tinha por certeza já há tanto tempo, às vezes até descobertas que haviam sido feitas semanas atrás e pareciam tão sólidas. E das relações pessoais, nem se fala: já tem gente tendo em média dezenas de melhores amigos por ano, um de cada vez claro, não se pode ser antiético. E como se pode esperar que sejamos capazes de manter contato com cada paixão de uma noite que temos? Que atire o primeiro celular quem nunca mudou de número de telefone. Sorrimos para pelo menos três pessoas novas ao dia, rostos que rezamos pra que não se repitam nunca mais, pois não seremos capazes de lhes lembrar sequer os nomes, e sempre há uma grande novidade, a fofoca de vez, que todo mundo sabe e logo esquece, e nada é mais importante que sabê-la antes que se torne ultrapassada.
É um admirável mundo novo, de novo. Mas às vezes dá vontade de ter algo mais estático, em que possamos nos apoiar sem medo de desequilíbrio, um momento em que não seja preciso se preocupar com pressa nem tampouco eficiência, caso que não podemos ter. Somos como a areia em suspensão no ar numa pacata estrada de terra silenciosa; pó que se recusa a parar quieto, preferindo dançar ao sol esperando um vento que vai dar-lhe fim.

6 opiniões:
A cada passo, um admirável mundo novo. Ou alguma coisa assim
Cara, publica oficial esse, que está MUITO BOM! Quer dizer, modesta opinião rs...um abraço!
Na verdade o tempo tem corrido, e temos que acompanhá-lo dia e noite nessa corrida.
Beijos
Antes pudéssemos ficar parados. A cada esquina, uma nova interrogação sem resposta.
Beijo!
Aaaaaaaah, odeio mudanças!
E odeio uma vida sem novidades!
Seres humanos são paradoxos ambulantes!
Atóron seus textos! *-*
Nossa a quanto tempo não leio um texto seu, e é muito embaraçador como eles têm a capacidade de me abalar, sacudir mesmo, acho que agora também preciso de um ponto fixo como apoio :S
Beijos, ainda assim gosto muito desse lugar. :*
ps: tenho o mesmo número de cel há três anos ^^
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